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Crônica
do Mês |
O
Pequeno Portão Amarelo e o Morro
Sérgio Pinheiro Lopes
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| Janeiro
1999 |
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Não sei muito bem como fui
parar lá. Foi nos anos 70, provavelmente depois de ler o Carlos
Castañeda, alguém mencionou o lugar. Era um pequeno portão de madeira
amarelo no meio do quarteirão. Descia-se até o porão e logo na entrada,
ao pés de um enorme tambor, as pessoas tiravam os sapatos e calçavam
sandálias. Na sala ao lado, todos quietos sentados ao redor de uma
mesa. Logo, um monge japonês careca batia no tambor e esse som profundo
era o sinal para que todos se levantassem e fossem em fila& nbsp;indiana
em direção ao Zen- Do. O Zen-Do era uma sala enorme com bancos compridos
encostados na parede. Os bancos eram forrados com tatame e a intervalos
regulares umas almofadas gordas e azuis. Todos faziam uma reverência
em direção as almofadas, sentavam-se, viravam para a parede e em
posição de lótus, ficavam em silêncio por quase uma hora. Quando
o tambor soava novamente, desta vez seguidamente, em um ritmo que
acelerava vagarosamente, era hora de sair. Lá conheci Daijú que
me convidou para conhecer o Morro da Vargem. Fui. Apropriadamente
ficava no Espirito Santo. Era um mosteiro Zen Budista, o único da
América Latina, me disseram, e tinha uma atmosfera medieval. Lá
se ia ao Zen-Do várias vezes ao dia, o resto do tempo trabalhava-se:
na plantação de arroz, na cozinha, varrendo o pátio, consertando
o que precisasse de conserto. Falava-se pouco e dormia-se somente
o necessário.
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