Crônica do Mês

Ruby Tuesday

Sérgio Pinheiro Lopes

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É o nome de uma canção. Uma canção dos anos 60. Mas poderia ser qualquer canção. Na verdade, é qualquer canção. Todo mundo tem uma canção com mais significados do que é razoável esperar de apenas uma canção. É como se num dado momento um exagero de sentimentos encontrasse um veículo de expressão conveniente e daí em diante as duas coisas se tornassem impossíveis de dissociar na memória emocional. Não importa. 'Ela nunca dizia de onde tinha vindo', começa, 'o passado não importa, pois já passou', o que de uma certa forma, é absolutamente verdadeiro. 'Se o sol está brilhando, ou na noite mais escura, ninguém sabe, ela vem e vai. E continua dizendo: 'Adeus Ruby Tuesday, quem vai dar um nome a você?' Uma canção que começa com um adeus. É curioso pensar na vida começando com um até logo. Tão solitário e tão incrivelmente desesperado. Será que isso não é típico da imaturidade? A pergunta é: será que as coisas mudam de modo fundamental ou será que apenas enterramos esses sentimentos e nos conformamos com os caminhos do mundo? Uma pergunta difícil esta. 'E quando você muda com cada novo dia, ainda assim vou sentir sua falta'. Isso parece ser uma resposta. Nós realmente mudamos e realmente sentimos falta do que éramos, não é? Ou será que não? Eu acho que sim, mas por outro lado, todos somos imaturos sob algum aspecto. 'Não pergunte por que ela precisa ser tão livre, ela lhe dirá que essa é a única maneira de ser. Ela não pode ser jogada em uma vida onde nada é ganho, nada é perdido, a um custo tão alto...'. Não é familiar esse sentimento? Essa intensidade não faz falta quando amadurecemos? Será que não ficamos mais vazios e mais cínicos quando ficamos mais sábios? Será que algumas das dádivas mais lindas da vida não são perdidas com a passagem do tempo? A canção termina com essas palavras: 'Não há tempo a perder, eu a ouvi dizer, você tem que pegar seus sonhos antes que eles fujam. Morrendo o tempo todo, perca seus sonhos e você pode perder sua sanidade. Será a vida injusta? Uma excelente pergunta. Existe uma oração que adotei que soa curiosa. Talvez eu a tenha adotado exatamente porque soa curiosa: 'Deus, obrigado por tudo ser exatamente como é' Ou talvez seja apenas uma outra forma de dizer: 'Seja feita Tua vontade'. Extrema humildade. E extrema entrega. Eu achei que essa seria uma maneira apropriada de terminar esse ano, esse trecho de estrada. Feliz Ano Novo.