Muitos anos atrás, meu irmão apareceu com um livro chamado Black Elk
Speaks (Alce Negro Fala) e me disse para ler. Eu li. Esse livro mudou minha
visão dos Estados Unidos, da história e da espécie humana em geral. Ficou no meu
coração desde aquela época. É a história da vida de um Homem Sagrado dos Oglala Sioux
como foi contada para John G. Neihardt. Esses são apenas os parágrafos iniciais e é
muito comovente. Isto é apenas um aperitivo, espero que consigam encontrar o livro
e lê-lo.
Alce Negro Fala:
Meu amigo, vou contar a você a história da minha vida, como quer; e se fosse apenas
a história da minha vida acho que não a contaria; pois o que é um homem que ele deva
fazer muito de seus invernos, mesmo quando estes o curvam como uma nevasca pesada?
Da mesma forma muitos outros homens viveram e irão viver essa história, até tornarem-se
grama sobre as colinas.
É a história de toda a vida que é sagrada e boa de se contar, e de nós bípedes
partilhando-a com os quadrúpedes e as asas do ar e todas as coisas verdes; pois estes
são os filhos de uma única mãe e seu pai é um único Espírito.
Esta, então, não é a história de um grande caçador ou de um grande guerreiro, ou de
um grande viajante, embora eu tenha feito muita carne no meu tempo e lutado por meu
povo tanto como menino quanto como homem, e tenha ido longe e visto terras e homens
estranhos. Da mesma forma muitos outros o fizeram, e melhor do que eu. Essas coisas
irei lembrar de passagem, e freqüentemente elas parecerão ser a história em si, como
quando eu a estava vivendo em felicidade e tristeza. Mas agora que posso ver toda ela
como se do topo solitário de uma colina, eu sei que foi a história de uma visão poderosa
dada a um homem fraco demais para usa-la; de uma árvore sagrada que deveria ter florescido
no coração de um povo com flores e pássaros cantando, e agora está seca; e do sonho de
um povo que morreu na neve coberta de sangue.
Mas se a visão era verdadeira e poderosa, como eu sei, ela é verdadeira e poderosa ainda;
pois tais coisas são do espírito, e é na escuridão de seus olhos que os homens se perdem.
Copyright University of Nebraska Press 1961 - ISBN 0 349 12522 8
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